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Novidades - 11/01/2012

Bairro Jardim. Um bairro que já nasceu elegante.

O agito, principalmente, dos fins de semana na rua das Figueiras e travessas, de nada lembra a vila pacata que era o Bairro Jardim de alguns anos atrás.  É claro que saindo dos eixos avenida Dom Pedro II e Figueiras, o bairro continua tranquilo. Segundo relatos de antigos moradores, nos anos 30 não era difícil um motorista se deparar com uma sucuri atravessando sossegadamente a avenida dom Pedro II.

Com a implantação de uma estação da estrada de ferro São Paulo Railway (SPR), atual CPTM, na Vila de Santo André, o atual município de Santo André começou a crescer. A partir do início do século XX foram chegando as indústrias e com elas, levas de migrantes, principalmente do interior de São Paulo e imigrantes vindos da Europa. A demanda por moradias era enorme e forçou a criação de inúmeros bairros.
As terras onde hoje se situam os bairros Jardim e Campestre (que no início se chamava Utinga) pertenciam a Antonio Miguel Maria, apelidado de Nhônhô Maria. O bairro surgiu em 1921 com a compra das terras de Nhônhô Maria pela Empresa Imobiliária São Bernardo de propriedade dos irmãos Pujol. A sede da Imobiliária ficava na rua Bernardino de Campos e foi inaugurada com uma festa regada a champanhe francesa. A Empresa criou três tipos de loteamentos para atender ao que chamamos hoje de classes A, B e C. O Bairro Jardim, devido ao excelente clima, foi destinado à “habitação burguesa” - termo empregado pela própria empresa loteadora à época. As vendas visavam principalmente ricos moradores de Santos que construíram casarões para servirem como moradia de verão.

A Imobiliária implantou uma linha de bondes movido a gasolina, que ligava São Bernardo à Vila de Santo André e a São Caetano. Moradores e pessoas que trabalhavam no Bairro Jardim a utilizavam para chegar ao centro de Santo André. Compradores dos terrenos dos Pujol pagavam  meia passagem. Só o prefeito e sua família podiam viajar de graça.  A avenida Dom Pedro II (cujo primeiro nome foi avenida Presidente Wilson) foi construída para facilitar a comunicação com São Paulo. Na parte baixa do Bairro Jardim, reservada para a implantação de indústrias, armazéns e comércio, foi aberta a avenida Industrial. A Fichet foi a primeira indústria a chegar. Em 1926 foi inaugurada a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). A antiga tecelagem Tognato também começou no bairro, sua primeira sede foi na avenida dom Pedro II.

Com a crise de 1929 os irmãos Pujol faliram e foram obrigados a entregar o loteamento à família Simonsen, proprietárias do Banco Noroeste. A venda dos lotes acontecia de forma lenta e em 1950 ainda era possível encontrar terrenos disponíveis.

O Parque Celso Daniel, que já se chamou Duque de Caxias, chácara GE, chácara São Luiz teve como nome original fazenda Beliche e pertencia a Abilio Soares, considerado grande criador de galinhas. A fazenda chegou a receber a visita oficial do então presidente do Estado (governador) Bernardino de Campos. A avenida Dom Pedro II era calçada com paralelepípedos até meados dos anos 70. Nesta avenida, em 1925 foi inaugurado o “Empório, Recreio e Restaurante Turim”. Segundo relatos, foi uma bela festa, onde os convidados chegavam vestidos à caráter. O restaurante Turim teve seus anos de glória, sendo referência da sociedade andreence. Ele foi palco de grandes jantares, encontros sociais e festas de gala. Hoje, no prédio, está instalado o restaurante D’Brescia.
Em 1951 teve inicio as atividades da capela de São Judas Tadeu, primeira da região para atender aos moradores do Bairro Jardim e Campestre. Hoje o Santuário de São Judas Tadeu, de uma humilde capela que recebeu como doação da família Unti a imagem de São Judas que até hoje se encontra na igreja, cresceu e se transformou num belo santuário.  Moradores do bairro Jardim continuam frequentando a paróquia.

Nos anos 80 começa a chegar o comércio na rua das Figueiras e nos anos 90 as construtoras descobrem o potencial do bairro para a construção de prédios residenciais de alto padrão. A grande maioria dos casarões desapareceram dando lugar à elegantes edifícios e estabelecimentos comerciais, principalmente os ligados ao laser como restaurantes, barzinhos e buffets.

O que hoje preocupa os moradores não são mais as cobras, mas os automóveis e o barulho. O clima agradável foi substituído pela poluição. Mas de qualquer forma ainda vale a pena morar neste elegante bairro onde circulam pessoas bonitas e com certeza se pode curtir uma boa badalação.





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